O que encontro aqui sou eu, sou você, e nós
somos a parcela dos que não se encontraram
na realidade como ela é.

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sábado, 14 de novembro de 2009

Não sou eu (1) (escrito aos poucos)

1º Papel embrulhado.
Olá. Atenção: somente você poderá ler isto. Espero que esteja em um dia bom. Hoje a minha vida depende de você. Você é o primeiro. O meu primeiro. Eu não escuto, não falo e pouco me mexo. Só vejo. Estas palavras que se formam ou que falam contigo agora sou eu. Eu existo no seu pensamento. Só nele. Você é o responsável neste momento em diante, de que ninguém se comunique com palavras. Só pelos olhos, pelas ações, pelas reações, expressões, pelo movimento. Talvez fosse bom se pudéssemos passar a diante as responsabilidades que nos chegam. Seria, e não é este o caso. Não quero parecer rude, mas preciso de você por hoje, e só. Trouxe comigo um saco, dentro dele existem outras conversas como esta. Você é o único que não pode pegar outra. Você deve agora, guiar as pessoas para que peguem outras conversas. Eles devem lê-las para si. Claro que o que estou te pedindo pode ser muito difícil. Imagine realizar todos meus pedidos aí fora, fora de você inclusive, sem usar a fala? Faça o que puder, mas o mais próximo do que lhe pedi. Não fuja, não tema e principalmente, não me deixe. Chegará um momento, que alguém terá em mãos uma folha em branco. Você saberá o que fazer com esta pessoa.