Talvez ninguém nunca entenda
Há 8 anos
diário de um.
O que encontro aqui sou eu, sou você, e nós
somos
a parcela dos que não se encontraram
na realidade como ela é.
Partindo da obra "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera, que se serve da doutrina do Eterno Retorno de Nietzsche para justificar e distinguir o leve do pesado, proponho adoptar o conceito da repetição eterna para tornar o leve em pesado. Segundo Nietzsche, a vida que levamos (e os respectivos acontecimentos que ocorrem) não acabam na nossa morte mas serão sim repetidos vezes sem conta, durante toda a eternidade. Perante este conceito, Milan Kundera defende que, se considerarmos que a mais pequena e leve acção que podemos tomar se vai repetir eternamente, essa acção passa de insignificantemente leve para extremamente pesada. Sugiro então a utilização de um objecto/acção que é leve por natureza e, repetindo-o indefinidamente, torná-lo pesado à medida que o tempo avança.
O conceito gira em torno de uma personagem indefinida que sofre da condição de ser fisicamente leve. Esta condição é algo que a condena a nunca conseguir terminar qualquer objectivo ou acção a que se propõe, uma vez que, a qualquer momento, causas exteriores a impedem de o conseguir. Aplicando a doutrina do Eterno Retorno de Nietzsche, apercebemo-nos de que uma existência aparentemente leve se torna pesada quando sujeita a uma repetição constante.
Poema de Mata-Munhoz editado através de antigas imagens de arquivo e a contundente "Ase's Death" de Grieg como pano de fundo. Edição e Montagem de João Henrique Bayão e Frederico Giacomini. Dublin, 2006.